Por um lado, a pandemia COVID-19 veio provocar um aumento da despesa pública com a saúde e apoios à economia, afetando a capacidade de investimento público em descarbonização, situação agravada pelos efeitos que a guerra na Ucrânia tem na subida dos preços da energia, obrigando os governos a conceder apoios às famílias e às empresas para subsidiar os custos com energia. A este contexto já muito adverso, segue-se uma subida vertiginosa das taxas de juro, a qual afeta a capacidade de pagamento do serviço da dívida dos estados e das empresas, condicionando fortemente a sua liquidez e a capacidade de realização de “investimentos verdes” com impacto na descarbonização da economia.
Portugal não será exceção, e será muito difícil compatibilizar os exigentes investimentos de descarbonização com a falta de liquidez do atual enquadramento macro-económico, marcado por uma forte incerteza política.
A transição para energias renováveis terá de desempenhar um papel central em Portugal, com a produção de energias renováveis – como a solar, eólica, hidroelétrica e biomassa – a ter de ser reforçada. Mas não bastará aumentar a capacidade de geração de energia renovável, será necessário assegurar uma adequada integração dessas fontes de energia na rede elétrica nacional e apostar no desenvolvimento de tecnologias de armazenamento de energia, como baterias de íon-lítio, armazenamento térmico e sistemas de hidrogénio, cruciais para lidar com a intermitência das energias renováveis e para garantir um fornecimento confiável de energia.