Type: Press Release

 

Data: 26/05/2010

 

Geography: Portugal

Empresas portuguesas preparam-se para catástrofes 

Estudo KPMG: Empresas investem na Gestão da Continuidade de Negócio

 

A nuvem de cinzas do vulcão islandês, o temporal da ilha da Madeira, os terramotos no Haiti e no Chile, e a ameaça de pandemia de gripe H1N1 são alguns exemplos recentes das muitas catástrofes que assolaram o mundo no último ano, com elevados prejuízos económicos.

 

E se acontecer uma catástrofe em Portugal? Estarão as empresas portuguesas preparadas para enfrentar os riscos da actualidade? Para responder a esta questão, a consultora KPMG realizou o primeiro estudo sobre a Gestão de Continuidade de Negócio nas empresas portuguesas, com o objectivo de perceber qual o nível de resiliência das empresas portuguesas à adversidade, isto é, a sua actual capacidade em compreender os riscos do meio envolvente e implementar mecanismos de prevenção e recuperação que lhes permitam diminuir o impacto de catástrofes nas suas operações críticas.

 

O estudo “Continuidade de Negócio: Assegurar a resiliência na adversidade”, desenvolvido recentemente pela equipa de Business Continuity Services da KPMG em Portugal, envolveu 70 empresas entre as quais se incluem grandes grupos económicos representativos de sectores estratégicos vitais para a sociedade e economia portuguesas, tais como o sector financeiro, energia, telecomunicações e transportes.

 

O estudo revela que o risco operacional está na agenda das empresas. De acordo com a pesquisa da KPMG, os riscos que foram alvo de maior atenção nos últimos três anos nas empresas portuguesas foram a “falha dos sistemas de informação” (96%), dada a sua importância vital para o negócio, e o “absentismo dos colaboradores” (83%), reflexo da ameaça pandémica de gripe que se fez sentir em 2009.

 

Apesar de 90% das empresas reconhecer poder sofrer problemas operacionais graves com uma paragem superior a vinte e quatro horas e 68% reduzir este prazo para as primeiras quatro horas, apenas 47% das empresas considera ser resiliente, isto é, estar bem preparadas para responder aos riscos da actualidade.

 

No entanto, as empresas estão atentas: a grande maioria (81%) iniciou já um programa de Gestão de Continuidade de Negócio e 44% já atingiu a fase de melhoria contínua, após implementação do programa. O sector financeiro é aquele que apresenta maior maturidade, visto que 100% das empresas têm em curso um Programa de Gestão de Continuidade de Negócio e 54% atingiu a fase de melhoria contínua. Neste sector existem recomendações dos órgãos de supervisão e programas internacionais de gestão de risco (Basileia II e Solvência II) que impulsionaram este tipo de iniciativas.

 

As empresas, porém, nem sempre utilizam uma abordagem integrada nos seus programas de Gestão de Continuidade de Negócio. Este facto resulta em iniciativas isoladas e na implementação de soluções parciais. Por exemplo, de acordo com o estudo da KPMG, 37% das empresas que implementaram um plano de contingência para a gripe A afirmam que este não está integrado com o Plano de Gestão de Continuidade de Negócio existente e 7% das empresas afirmam mesmo que não têm outro mecanismo implementado.

 

As entrevistas realizadas pela KPMG revelaram também que em muitas empresas existem apenas planos de resposta de emergência operacional e/ou planos de recuperação tecnológica, não estando, porém, implementados mecanismos em áreas-chave, como a gestão de crise e o planeamento da recuperação de processos de negócio críticos.

 

Os Conselhos de Administração ainda não patrocinam devidamente a Gestão da Continuidade de Negócio, conclui igualmente a pesquisa. Apenas 14 % das empresas inquiridas dispõem de um Director de Continuidade de Negócio, nomeado pela Administração. Nos restantes casos, esta função é atribuída a áreas já existentes, que acumulam com outras responsabilidades. Como consequência, constata-se que os recursos humanos são escassos, e muitas vezes partilhados (20 % das empresas afirma não possuir equipa de Gestão de Continuidade de Negócio e 31 % refere que a equipa é inferior a dois colaboradores), e a inexistência de fundos orçamentados para a função (apenas 23 % das empresas inquiridas têm um orçamento específico para a Gestão da Continuidade do Negócio).

 

Rui Gomes, Partner responsável pelos serviços de IT Advisory da KPMG em Portugal, comenta: “o papel da Gestão de Continuidade de Negócio é uma espécie de seguro de vida das organizações que, para ser eficaz, requer o patrocínio da gestão de topo, um modelo de governo adequado e um esforço contínuo de actualização, exercitação e melhoria da capacidade de resposta da organização. Em Continuidade de Negócio, fazer menos que isto significa fazer pouco ou quase nada.”

 

Cristina Alberto, Director responsável pelos serviços de Business Continuity Services da KPMG em Portugal realça: “Investir em recursos humanos e financeiros significativos para criar uma capacidade que se deseja nunca vir a utilizar, pode gerar alguma dissonância cognitiva nos executivos. No entanto, esta é, possivelmente, a estratégia com melhor racionalidade económica para gerir eventos que podem comprometer a continuidade das operações com elevados impactos humanos, patrimoniais e reputacionais, embora com probabilidades baixas.

 

” O estudo conclui que, apesar do caminho já percorrido, têm ainda de ser superados alguns desafios importantes até que as empresas portuguesas se possam afirmar como empresas resilientes.

 

Caixa de detalhe sobre a Gestão de Continuidade de Negócio

 

O que é a Gestão de Continuidade de Negócio?

No novo milénio, o perfil de risco das empresas tem evoluído de forma acelerada, fruto das intempéries na economia global.

A mudança de milénio trouxe a ameaça do bug do ano 2000 e a necessidade de soluções de recuperação dos sistemas de informação.

Os ataques terroristas às torres gémeas em Nova Iorque em 2001, seguidos dos ataques em Londres e Madrid, as catástrofes naturais como o furacão Katrina e os sismos em grande escala, em diversas partes do globo impulsionaram respostas de emergência por todo o mundo. Em Portugal, sentimos com alguma frequência cheias, tempestades e incêndios e a nossa localização geográfica torna-nos vulneráveis à ocorrência de sismos, em especial na zona do Algarve e Vale do Tejo.

Os actos maliciosos que vão desde o terrorismo, cyber attacks e criminalidade organizada têm vindo a aumentar, o que levou as empresas a reforçar as suas medidas de segurança física e lógica.

E as ameaças de pandemia de gripe das aves, em 2006, e da gripe suína, em 2009, alertaram a economia mundial para o absentismo de colaboradores, o que levou as empresas a criar planos de contingência. A Gestão de Continuidade de Negócio surge, neste contexto, como um mecanismo de mitigação do risco operacional das empresas que endereça riscos que possam afectar as suas operações, os seus colaboradores, os seus sistemas de informação, as suas instalações e fornecedores de produtos e serviços críticos.

A Gestão de Continuidade de Negócio tem como objectivo assegurar a recuperação dos processos críticos de negócio num tempo previamente estabelecido de acordo com um impacto aceitável para a organização. Nos últimos anos, esta função evoluiu para o conceito de Resiliência do Negócio, reforçando o nível de preparação da organização através da adição de mecanismos de prevenção que diminuem o impacto do risco.

 

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