O típico autor de fraude – Análise da KPMG aos padrões globais da fraude
Crise económica e financeira potencia risco de fraudes.O típico autor de fraude é do sexo masculino, tem entre 36 e 45 anos, comete fraude contra o seu próprio empregador, trabalha na área financeira e está há mais de 10 anos na empresa.
A KPMG realizou um estudo internacional sobre “O típico autor de fraude – Análise da KPMG aos padrões globais da fraude” e a evolução destes casos face a 2007. Este estudo procura identificar os padrões de comportamento dos autores de fraude, o valor das fraudes cometidas e a duração das mesmas. Adicionalmente, analisam-se as atitudes empresariais face à prevenção da fraude e a sua postura quando uma fraude é identificada.
Para a realização deste estudo, foram analisadas 348 investigações de fraudes, por membros da KPMG em 69 países, entre Janeiro de 2008 e Dezembro de 2010.
O estudo da consultora conclui que a fraude e a falsificação de resultados continuam a ser um problema em crescimento. Os mecanismos de respostas tornaram-se menos eficazes, tendo o estudo detectado que os controlos internos são consideravelmente mais fracos que em 2007, altura do último estudo realizado sobre o tema pela consultora. Consequentemente, com a crescente pressão económica sobre os indivíduos, o fracasso em lidar com os sinais de aviso e o longo lapso temporal entre o momento da realização da fraude e a sua detecção, é provável que as fraudes por detectar irão emergir em grande número, nos próximos dois a três anos.
De acordo com a consultora, o típico autor de fraudes é homem (87%), com idade compreendida entre os 36 e os 45 anos, e com um cargo na administração da empresa (18%). Enquanto em 2007, o envolvimento do CEO em casos de fraude representava apenas 11% dos casos, actualmente a percentagem subiu para 26%. Por outro lado, 36% dos autores de fraude tem uma função financeira na empresa, enquanto 25% trabalha na área de vendas.
O estudo destaca, também, a influência que o número de anos a trabalhar na empresa tem no que diz respeito à realização de fraudes. Efectivamente, 60% dos autores de fraude trabalhavam há mais de 5 anos para a empresa e 33% há mais de 10 anos. Em média, são necessários 3 anos, desde o momento da realização da fraude, para que esta seja detectada.
A consultora detecta que em 61% dos casos o autor da fraude agiu em conluio com outra parte: 48% com fornecedores e 22% com clientes. O estudo conclui que os homens têm mais tendência a agir em conluio com outra parte (64%), sendo essa percentagem bastante mais inferior no caso das mulheres (33%).
Na maioria dos casos investigados, o principal motivo detectado para a realização da fraude foi o ganho financeiro pessoal. A falsificação de relatórios financeiros, tendo em vista a manutenção do emprego, o alcance das metas financeiras estabelecidas e respectivo bónus, é o segundo motivo. A apropriação de activos da empresa corresponde a 43% dos casos investigados.
Por outro lado, a exploração de controlos internos pelos autores de fraude aumentou significativamente de 49% em 2007 para 74% em 2011. Muitas fraudes continuam a ser desmascaradas através de denúncias ou mecanismos de denúncias. Para a consultora, é preocupante notar que metade das fraudes foram detectadas através de denúncias (formais e informais) ou por acidente. Esta realidade sugere que os controlos internos estão em falta ou não estão a funcionar de forma apropriada. A maioria das fraudes investigadas envolveu a exploração de controlos internos fracos.
O estudo da KPMG detecta que as empresas são relutantes em comentar detalhes de fraudes, a menos que estipulado na lei ou regulamentos, ou quando a materialidade ou magnitude das perdas tem impacto nos resultados financeiros no período actual ou em períodos anteriores já reportados.
As razões principais desta hesitação incluem receio de perda de confiança por parte dos investidores, danos na reputação e possíveis multas. Cerca de 77% das investigações levadas a cabo pelas empresas, relativas a casos de fraude, não são tornadas públicas. Estas descobertas sugerem que as empresas não estão a aproveitar para incrementar pontos de aprendizagem ou infundir uma cultura organizacional de tolerância zero em relação à fraude.
A KPMG destaca que as empresas estão, claramente, a falhar no que diz respeito à detecção de sinais de aviso. Avisos ignorados são mensagens para os infractores de que podem continuar a agir com impunidade. Actos de fraude são raramente isolados: no estudo de 2011, 96% dos autores de fraude cometeu actos de fraude repetidamente – ultrapassando os 91% de 2007.