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  • Serviço: ACI
  • Tipo: Informativo KPMG
  • Data: 8/4/2013

13% dos conselhos confiam em gestão de riscos, diz pesquisa 

Por Fernando Torres

Fonte: Valor Econômico - 08/04/2013

 

Apenas 13% dos conselhos de administração e comitês de auditoria das companhias brasileiras entendem que o sistema de gerenciamento de riscos de suas empresas é "robusto e maduro". A informação consta de levantamento um global feito pela KPMG, que no Brasil contou com 68 respostas. O dado chama atenção porque contrasta com o que se vê em nível mundial, em que o contentamento pleno com a área de controle de riscos atinge 37% da amostra, de 1.800 companhias.

De acordo com o Sidney Ito, especialista em risco e governança da KPMG, essa diferença se explica pelo nível de desenvolvimento do mercado brasileiro. Ele afirma que gerenciamento de risco já é um tema de preocupação dos executivos há muito tempo, mas que só passou a fazer parte da agenda do conselho de administração depois dos episódios de perdas bilionárias com derivativos cambiais em 2008. "Depois das punições aplicadas, o conselho passou a notar que tinha sim responsabilidade sobre esse tema", afirma Ito.

 

No exterior o assunto começou a receber mais atenção depois dos casos de fraudes contábeis do início da década passada. "Mas isso não quer dizer que eles sejam infalíveis. Basta ver a crise financeira, que pegou muitas instituições não tão preparadas."

 

De acordo com o sócio da KPMG, a auditoria interna também passou por uma transformação positiva. Antes ela tinha um papel mais reativo, sendo chamada para saber o que houve de errado e para identificar culpados. Hoje tem uma atuação mais preventiva, para mitigar riscos e evitar prejuízos e mesmo fraudes no futuro.

 

Também atento à questão do gerenciamento de riscos, o Instituto dos Auditores Internos do Brasil (IIA Brasil) acaba de lançar uma cartilha com orientações para o mercado sobre o tema.

 

O documento diz que as organizações devem adotar o modelo chamado de três linhas de defesa para realizar essa prática. Na primeira etapa, a recomendação é para que o próprio gestor operacional tenha consciência de ele também deve gerenciar os riscos da sua área de negócios.

 

Numa segunda instância, entra a área específica de controladoria, que em muitas empresas é a única responsável pela tarefa.

 

Por fim, o auditor interno atua na terceira etapa, supervisionando toda a operação, e inclusive as duas primeiras linhas. "Com a diferença de que o auditor interna se reporta tanto à diretoria como ao conselho", afirma Renato Trisciuzzi, presidente do conselho de administração da IIA Brasil, ressaltando que isso é importante especialmente em empresas com controle pulverizado.

 

Segundo Ito, um dos grandes erros que podem ser cometidos por conselheiros de administração e membros de comitês de auditoria é analisar as demonstrações financeiras apenas depois de elas estarem prontas. "É muito difícil aprovar algo pronto sem saber como foi o processo de elaboração."

 

Nesse sentido, o especialista em governança considera importante que haja um diálogo maior entre os auditores e os membros do conselho ou do comitê de auditoria.

 

Aliás, o PCAOB, órgão americano que regula a atuação dos auditores, editou uma norma recentemente listando alguns pontos que devem ser obrigatoriamente discutidos pela firma de auditoria com os membros dos comitês de auditoria.

 

A pesquisa da KPMG também aponta um descompasso entre a preocupação das empresas brasileiras e estrangeiras em relação a legislações anticorrupção existentes nos Estados Unidos e Reino Unido. Enquanto praticamente 50% das empresas pelo mundo dizem ter elevado parcialmente ou significativamente seus controles por conta dessas regras, apenas 26% das empresas brasileiras informaram ter tomado medidas semelhantes.

 

Para Ito, o tema ética e conduta, que envolve não apenas corrupção, mas também sustentabilidade e questões sociais, será o próximo item na agenda dos conselhos.

 

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