A economia de energia é muito mais eficiente e custa menos no curto prazo do que implantar novas fontes de energia renovável. Essa é a opinião de 79% dos entrevistados em uma pesquisa realizada mundialmente pela KPMG. O estudo global sobre as principais mudanças que o setor energético poderá enfrentar nos próximos anos foi feito com 200 profissionais ligados à área e com dez autoridades de destaque do setor. A pesquisa apontou ainda uma forte tendência de que novos modelos de negócios irão surgir, e que os cidadãos serão no futuro não apenas consumidores de energia, mas, também, produtores.
O levantamento apontou ainda que os governos têm importante papel na promoção da inovação e na disponibilização de subsídios para a área. Setenta e quatro por cento dizem acreditar que esta instância deveria desempenhar um papel maior, estimulando a adoção de medidas para redução do consumo pela sociedade que, em pouco tempo, deixará de ser uma escolha pessoal, mas uma necessidade global. Quanto à geração de energia local, eles acreditam que o governo deve ter uma legislação fiscal clara, e que a sua aplicação também seja incentivada (68%).
“No Brasil, sabemos que diversos projetos-piloto de utilização de redes eficientes estão sendo desenvolvidos pelas empresas, mas o governo tem papel fundamental nesse processo. Atualmente, está sendo priorizada a expansão da rede, e o país tem um desafio a enfrentar que é aumentar o investimento em melhoria do desempenho da rede elétrica”, analisa Vânia Souza, sócia da área de Energia da KPMG no Brasil.
Quanto ao consumidor, percebe-se que as pessoas ainda se mostram mais interessadas em redução de custos do que no uso de energia renovável. Cinquenta e quatro por cento dos entrevistados dizem não acreditar que o consumidor considere interessante o uso desse tipo de fonte alternativa. Para os executivos ouvidos pela pesquisa, o mais importante é que estejam cientes das consequências do alto consumo. O estudo apontou ainda que a disposição do consumidor para pagar mais para consumo de energia renovável está ligada ao nível de conforto que a sua utilização irá proporcionar.
A inovação foi um dos temas levantados pelos pesquisadores. Segundo o levantamento, grandes companhias não possuem ainda projetos na área porque não são capazes de se adaptar para oferecer novas fontes de energia. O estudo aponta como uma boa estratégia a parceria dessas companhias com empresas entrantes no mercado, ou companhias de ponta, entre elas, fornecedores, universidades, empresas de engenharia como forma de promover inovação na área.
“É preciso salientar que o Brasil tem uma realidade muito diferente das nações desenvolvidas. O consumo no país é de aproximadamente 3.660 MW ao ano, enquanto que na Califórnia (EUA) chega à casa dos 30.000 MW/ano, por habitante. Não devemos chegar aos níveis dos países “desenvolvidos”, mas temos que focar tanto na melhoria da eficiência energética, quanto na criação de novas fontes, já que existe uma necessidade latente de 6.920MW/ano para cumprir as metas de crescimento econômico estimadas para os próximos anos, até 2020”, explica Franceli Jordas, diretora da área de Energia da KPMG no Brasil.
Pontos principais da pesquisa:
- A economia de energia é muito mais eficiente e custa menos no curto prazo do que implantar novas fontes de energia renovável: 79% dos entrevistados concordam.
- O governo deve estimular a adoção de medidas para promover a redução do consumo pela sociedade: 74% dos entrevistados concordam.
- O carro elétrico é visto como o veículo do futuro para mercado de energia renovável: 58% concordam.
- O aumento do número de empresas fornecedoras de energia será o principal fator do setor nos próximos três anos: 53% dos entrevistados não concordam.
- O financiamento de infraestrutura para criar redes inteligentes de energia vai ser um obstáculo para o processo de transição para a criação de uma nova fonte de energia: 53% dos entrevistados concordam.
- A inovação não virá das grandes empresas de energia: 48% dos entrevistados concordam.
- Grandes empresas de energia não possuem estruturas para oferecer inovações: 62% dos entrevistados concordam.
Para ter acesso aos dados do estudo (em inglês), visite o endereço:
http://www.kpmginstitutes.com/global-energy-institute/insights/2011/a-new-energy-world-new-business-models.aspx