Brasil

Detalhes

  • Tipo: Press release
  • Data: 7/4/2014

Desafios da mensuração do valor justo de instrumentos financeiros 

* Por Marco André Almeida e Rodrigo Bauce
 

O mercado e a comunidade acadêmica tiveram momentos de reflexão após a divulgação do Prêmio Nobel de Economia em 2013. Três americanos foram agraciados com a premiação, que, geralmente, é concedida a um único premiado. Eugene Fama, Lars Peter Hansen e Robert Shiller foram os vencedores com estudos nada correlacionados e ideias contraditórias, que sugerem a complexidade no universo da marcação a mercado dos instrumentos financeiros.

 

O IFRS 13 é uma resposta do IASB (International Accounting Standards Board) às dúvidas do mercado em relação à mensuração do valor justo, inclusive para instrumentos financeiros. Com adoção requerida em 1º de janeiro de 2013, o IFRS 13 é um tema de destaque para o encerramento das demonstrações financeiras de empresas brasileiras na data base do dia 31 de dezembro.

 

A medida normativa deve atender às expectativas dos tomadores de risco com relação à maior transparência e simplificação nos métodos de avaliações. Principalmente, em mercados ilíquidos e sujeitos a maior imprecisão em decorrência da falta de informação disponível.

 

O Comitê de Pronunciamentos Contábeis respondeu rápido com o CPC 46, consonante ao IFRS 13, que trata da mensuração do valor justo. Um aspecto interessante da norma é a determinação da classificação dos instrumentos financeiros nos três níveis hierárquicos. O que anteriormente apenas era exigido para instrumentos financeiros contabilizados ao valor justo, agora será necessário, também, para instrumentos financeiros que precisam divulgar o valor justo em comparação com o valor contábil. 

 

Além do julgamento do nível hierárquico, o método de precificação leva em consideração a observação de transação ordenada, cotação em mercado (quando existe um mercado ativo), uso de modelos de precificação, riscos de crédito e liquidez. A complexidade da mensuração do valor dos instrumentos financeiros traz alguns desafios para quem precifica. Desde a implementação da norma internacional no Brasil, a partir de 2010 no processo de convergência, ampliaram-se muito o uso do valor justo e a demanda das empresas por calcular, contabilizar ou divulgar estes dados. O que o IFRS 13 e CPC 46 trazem de novo é indicar “como fazer” e não “o que fazer”.

 

O segundo ponto diz respeito à sofisticação do mercado, com uma estrutura de financiamento de capital e dívidas mais requintadas e com uso de instrumentos financeiros mais complexos. Outro fator relevante é o início da internacionalização da indústria de fundos no Brasil. A partir do momento que os investidores de mercado local se dirigem para o internacional, começa o resgate de uma gama nova de investimentos com desafios adicionais de mensuração do valor justo.

 

O último aspecto importante a destacar é que, com a redução da taxa de juros real ao longo dos anos, os investidores têm migrado para outros tipos de aplicações que têm expectativas de rentabilidade mais atrativa. Esse movimento aumenta a demanda dos investimentos em papéis que têm características em risco de crédito privado, mas existem dificuldades em calcular adequadamente o valor justo para instrumentos de renda fixa que contenham elementos provenientes do risco de crédito.

 

Devido a sua complexidade, não nos surpreende se o assunto merecer um Nobel em 2013.

 

* Marco André Almeida é sócio e Rodrigo Bauce é gerente da KPMG no Brasil

Sobre a KPMG
A KPMG é uma rede global de firmas independentes que prestam serviços profissionais de Audit, Tax e Advisory presente em 155 países, com 155.000 profissionais atuando em firmas-membro em todo o mundo. As firmas-membro darede KPMG são independentes entre si e afiliadas à KPMG International Cooperative ("KPMG International"), uma entidade suíça. Cada firma-membro é uma entidade legal independente e separada e descreve-se como tal.

No Brasil, a organização conta com aproximadamente 4 mil profissionais distribuídos em 22 cidades de 13 Estados e Distrito Federal.


Twitter: @KPMGBRASIL
Site: kpmg.com/BR

Atendimento à imprensa
Ricardo Viveiros & Associados - Oficina de Comunicação (RV&A) 
Marcel Trinta - marcel.trinta@viveiros.com.br - 11 3736-1127
Bianca Antunes - bianca.antunes@viveiros.com.br - 21 3218-2024 
Caroline Norberto - caroline@viveiros.com.br - 11 3675-5444 
Roberta Freitas - roberta.freitas@viveiros.com.br - 21 3218-2079 
Ligia Daniele – ligia.daniele@viveiros.com.br – 11 3675-5444

 

Twitter: @RVComunicacao 
Site: viveiros.com.br

Press Release -  

Compartilhe

Compartilhe isso

Cadastre-se agora

Cadastre-se para selecionar os conteúdos de seu interesse e receba atualizações automáticas dos últimos artigos e publicações da KPMG no Brasil. 

 

Já é assinante? Faça o seu Login.  

 

Ainda não é assinante? Cadastre-se.