Brasil

Detalhes

  • Indústria: Infrastructure, Government and Healthcare
  • Tipo: Informativo KPMG
  • Data: 30/12/2012

Boletim Educacional - Dezembro 2012 

Diversificando o público-alvo nas instituições de ensino superior

Atualmente, as instituições de ensino superior, bem como outros interessados nesse setor de educação, analisam e discutem com bastante amplitude o potencial de crescimento do setor, tomando por base principalmente os atuais índices de matrículas de jovens de 18 a 24 anos. Tais índices trazem duas informações relevantes: a primeira, que reflete o lado negativo, é que a taxa de matrícula no ensino superior de jovens entre 18 e 24 anos no Brasil é de apenas 13,8% (3,2 milhões de alunos matriculados diante de uma população nesta faixa etária de 23,2 milhões de pessoas), ou seja, um índice ruim quando comparado a outros países da América Latina. A segunda informação, que reflete o lado positivo, demonstra o potencial de crescimento do ensino superior, pois cerca de 20 milhões de jovens entre 18 e 24 anos estão fora do ensino superior.

 

Desta forma, a maioria das instituições de ensino planeja e dirige suas estratégias de marketing e planos de comunicação voltados a esse público-alvo. Entretanto, existem outros perfis de públicos que são pouco explorados ou buscados pelas instituições de ensino superior, mas que estão ganhando papel relevante na economia brasileira. Um dos principais é a denominada terceira idade ou a melhor idade.

 

O último Censo revela que o Brasil possui cerca de 20,6 milhões de pessoas acima de 60 anos.

 

Especificamente a esse perfil, é possível encontrar diversas pesquisas que indicam que esse público tem se mostrado um dos principais consumidores de bens de consumo, principalmente de serviços.

 

Segundo a Associação Brasileira de Academias, atualmente 1/3 dos frequentadores de academias referem-se a pessoas da terceira idade. Cerca de 1,8 milhão de pessoas. Há 10 anos não passava de 300 mil. Outro segmento que colhe os frutos desse crescimento é o de turismo. Cerca de 30% dos turistas brasileiros são representados por pessoas da terceira idade.

 

Entretanto, o setor de educação ainda demonstra números tímidos em relação à terceira idade. Tomando por base do Censo Educacional de 2011, o número de alunos matriculados no ensino superior na faixa etária acima de 60 anos é de pouco mais de 17 mil estudantes. Entre 50 e 59 anos, cerca de 130 mil. Essas duas faixas etárias somadas representam pouco mais de 2% dos alunos matriculados no ensino superior.

 

Outras pesquisas apontam também que o público da terceira idade vive, atualmente, mais e melhor, e que busca investir seu tempo e dinheiro em atividades onde possa se relacionar, manter o cérebro em atividade, ampliar seus conhecimentos gerais e culturais, se divertir etc.

 

Desta forma, as instituições de ensino possuem condições de preencher grande parte dessas necessidades, provendo a essas pessoas acesso à informação, à cultura, ao conhecimento, à interação, à integração, ao divertimento etc.

 

Certamente a procura não seria por cursos de engenharia, medicina, odontologia, pois, muito provavelmente, o objetivo principal seria obter a certificação para exercê-la profissionalmente, mas sim dedicar parte do tempo no aprendizado de algo que seja útil no seu dia a dia, no seu processo de interação e integração à sociedade ou relacionado a algum hobby, assim, cursos como pedagogia, filosofia, serviço social, gastronomia etc. poderiam ter um bom apelo.

 

O aspecto principal que trazemos à discussão é a necessidade das instituições de ensino de pensar nos diversos perfis de estudantes (jovens, homens, mulheres, pessoas de meia idade, terceira idade, pessoas com deficiência etc.) de forma segregada. Isso porque cada um desses públicos possui características e necessidades específicas, que, se bem atendidas, trabalhadas e divulgadas, podem representar um ótimo diferencial para a instituição perante seus concorrentes.

 

Isso já ocorre nas organizações, ou seja, as empresas procuram conhecer cada vez mais o perfil de seus funcionários, buscando atender às principais necessidades de cada público, procurando fidelizar o funcionário.

 

Outra informação relevante é o fato de haver cerca de 20 milhões de pessoas com ensino médio completo entre 25 e 39 anos, mas sem ensino superior, ou seja, outra grande oportunidade de crescimento fora da faixa etária entre 18 e 24 anos de idade.

 

Desta forma, recomendamos que as instituições de ensino incluam na pauta de discussão de seus planos estratégicos primeiramente a identificação do perfil de seus atuais alunos, ou seja, qual o perfil de alunos que a instituição possui atualmente (idade, sexo, onde moram etc.). Em seguida, discutam sobre outros perfis de alunos que possam ser explorados.  Muitas vezes, as melhores oportunidades de crescimento surgem pela descoberta de novos nichos de mercado antes não explorados pela instituição e/ou pouco explorado pelo mercado de forma geral.

 

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